Moda sustentável: como as roupas podem ser amigas do planeta?

A ideia é impactar o meio ambiente o mínimo possível. Todas as etapas da produção importam.

Moda sustentável

Você sabe quem faz as suas roupas? De que matéria-prima? Se nunca se fez nenhuma dessas perguntas, deveria começar. A indústria da moda ainda é uma das mais poluentes, responsável por boa parte da emissão de gases e pelo uso de materiais que também poluem o solo e a água, além de, muitas vezes, utilizar mão-de-obra irregular.

No entanto, uma nova geração de peças sustentáveis está revolucionando o mercado, mostrando que é possível fazer roupas bonitas e funcionais, sem desrespeitar o meio ambiente. Elas surgiram junto a consumidores mais conscientes de seus papéis para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Como essas peças são produzidas?


Todas as etapas do processo importam para a indústria da moda sustentável. Começa pela busca de matérias-primas recicladas, como fibras de garrafa pet, ou orgânicas, como o algodão e outros tecidos biodegradáveis. Os sintéticos, feitos à base de petróleo, devem ser evitados

Além de consumirem menos recursos, os tecidos feitos de materiais naturais costumam ser mais confortáveis e menos agressivos para a pele. O algodão, por exemplo, não irrita e não causa alergias.

Como a roupa é feita também importa. Desde as pessoas envolvidas no trabalho, que devem ter condições dignas e salário justo, até os processos de produção dos tecidos. Muitas marcas apostam em um jeito de fazer artesanal, mais lento, mas menos agressivo para o meio ambiente e para os trabalhadores.

O descarte dos resíduos da indústria faz toda diferença, já que é justamente essa etapa a que mais polui o solo e a água, além de gerar uma quantidade enorme de lixo. Muitas marcas já desenvolveram processos que geram pouco ou nenhum dejeto, reaproveitando quase tudo, incluindo retalhos.

A durabilidade das peças também é importante. A ideia é que os produtos sejam de qualidade, já que o descartável não é nada sustentável. Para isso, algumas tecnologias inovadoras têm ajudado.

Uma delas é a dos tecidos absorventes, usados em calcinhas e biquínis, substituindo os tradicionais absorventes e tampões, que contêm grande quantidade de plástico, material que leva cerca de 400 anos para se decompor na natureza. Esses produtos levam a sério a premissa de que quanto menos lixo, melhor.

Devo comprar menos roupas?


O consumo desenfreado de peças que são usadas poucas vezes e coleções que mudam a cada estação é um dos pontos mais criticados pela indústria e pelos consumidores de moda sustentável. Por isso, além de fazer peças duráveis, a ideia é que as pessoas consumam menos, investindo em qualidade, não em quantidade.

Isso não quer dizer que o estilo não importe ou que as pessoas não devam comprar uma peça ou outra quando quiserem variar. No entanto, a ideia é a de que menos é mais. Assim, a maioria das peças é pensada para ir bem com várias combinações. O objetivo é conseguir montar vários looks com as mesmas roupas.

Isso não quer dizer, no entanto, que as peças sejam todas sem graça ou basiquinhas. É possível produzir todo tipo de roupa e acessórios apostando em um processo sustentável, de sapatos a vestidos de festa.

Além disso, os bazares de troca de roupas usadas são bastante incentivados nesse universo. A durabilidade das roupas tem tudo a ver com isso, já que uma peça de qualidade pode durar muitos anos e pertencer a várias pessoas durante sua vida útil.

As marcas que investem nesse tipo de moda utilizam tudo isso para agregar valor a seus produtos, uma vez que muitos consumidores conscientes estão dispostos a pagar um pouco mais para incentivar uma indústria diferente, que ajude a construir um futuro em que moda e natureza sejam muito mais associáveis.